O Sorriso Forçado O estúdio brilhava, luzes ofuscantes dançavam no palco, a música pulsava. O público gargalhava das piadas do apresentador, palmas ecoavam a cada comentário "certeiro". Mas para Juliana, o sorriso era uma máscara pesada, colada em seu rosto dia após dia. Ela era a assistente de palco, a presença feminina que enfeita o cenário, entrega os prêmios, reage com graciosidade a cada interação. Seu trabalho exigia mais do que beleza e simpatia. Exigia silêncio. Um silêncio ensurdecedor que abafava sua voz, seus sentimentos, sua dignidade. Os bastidores eram um mundo à parte, onde as regras do palco se intensificavam. Comentários maldosos sussurrados nos corredores, olhares que a objetificavam, "brincadeiras" que a faziam se sentir um objeto. Juliana engolia em seco, sorria para as câmeras. Reclamar? Para quê? Sabia que sua voz se perderia no labirinto do poder, que seria tachada de "mimimi", "exagerada", "ingrata". O contrato...